11 de Junho REENCARNAÇÃO, CARMA E EVOLUÇÃO

 

Botticelli_nascimento_de_venus c. 1485, Galleria Degli Uffizi, Florença 

 

REENCARNAÇÃO, CARMA E EVOLUÇÃO

Breve abordagem, por Carmo Vasconcelos 

 

O tema que, à primeira vista, parecerá demasiado sério e, para alguns, até complicado, eu tentarei abordar duma forma simplista e clara, não lhe retirando a seriedade de que se reveste. Afinal, vida e morte são coisas sérias que, no entanto, melhor compreendidas, se tornarão mais leves, quase transparentes, quando melhor entendidas. Todos os “mistérios” que ainda não explorámos se nos afiguram “um bicho de sete cabeças”, levando-nos a rejeitar à partida, por medo, preguiça ou comodismo, um olhar sequer sobre os mesmos.

Se escolhi este tema foi por várias razões:

1º – Porque é uma matéria sobre a qual sempre me interroguei: Por que estamos aqui? – Donde viemos? – Para onde vamos? – Qual o sentido da vida?

2º – Porque há mais de 25 anos, iniciei uma busca através de várias  organizações, conceitos, postulados, religiões, que me levaram a uma súmula final que, “senti” se harmonizava com o meu grau de inquirição, dando-me as respostas que me assolavam a mente.

3º – Porque, sendo eu céptica, não facilmente influenciável e não permeável a todas as crenças, credos, manipulações ideológicas e práticas ditas esotéricas ou paranormais, encontrei no misticismo e, especialmente, nesta Doutrina da Reencarnação, a lógica que quase tudo me explicava e a minha mente analítica pedia.

4º – Porque só poderia expor uma tese que me apaixonasse e na qual eu realmente acreditasse.

Que fique claro que não pretendo aqui impôr as minhas crenças, mas, tão só, falar delas e abrir uma janela para a discussão de um assunto que durante muitas gerações foi tabu e revestido de secretismo, porque não aceite pelas Religiões Ortodoxas. Cada Organização, Ordem ou Religião tem a sua Ontologia (Ciência do Ser) e todas elas, incluindo a que exponho, são discutíveis, já que, cada um de nós, encontrará a “sua verdade” dentro de si e consoante o grau de evolução em que se encontrar nesta vivência terrena. 

 

A CONSCIÊNCIA CÓSMICA DA ALMA

Para  falar de Reencarnação será preciso falar primeiro sobre a Alma.  Por estranho que pareça, ainda  hoje nos deparamos com  pessoas que nos dizem: “Mas o que é  isso da Alma?  Simplesmente,  porque nas suas mentes materialistas, apenas crêem no que os seus olhos  podem  ver.      A  elas,  eu costumo  responder,   fazendo  minhas  as  palavras  de Shakespeare:  Há  mais  mistérios entre o céu e  a  terra do  que a  vossa vã  filosofia pode imaginar"       

É costume falar-se da Alma do Homem, como se cada um de nós tivesse no interior do seu corpo um algo separado e distinto a que chamamos de “Alma”, o que seria o mesmo que dizer que em milhões de seres humanos haveria milhões de almas. O que é profundamente errado. Existe apenas uma Alma no Universo; a Alma de Deus, a Consciência Vivente e Vital de Deus. Em cada Ser vivente existe um segmento inseparável dessa Alma Universal, e essa é a Alma do Homem, tal como a electricidade em uma série de lâmpadas eléctricas de um circuito não é uma porção separada da electricidade que flui. Diremos, pois, que cada indivíduo é uma “personalidade-alma”, diferente e distinta, por força dos factores externos que acompanharão a sua vida e hão-de esculpir o seu carácter, tais como, a hereditariedade (genes), a educação, a instrução, o meio ambiente, etc. Por tanto, Deus está em todos nós, o que explica o dizer-se que todos somos irmãos. E se me perguntarem o que é Deus eu vos darei a minha concepção Dele: “Uma mente universal, inteligência e poder infinitos”. Para os místicos, existe apenas um Deus, omnisciente, omnipresente, omnipotente, ilimitado, e sem forma definida de manifestação. Esse Deus que concebemos, mais cedo ou mais tarde se manifestará naquela singular intimidade em nosso interior. Será, pois, uma experiência subjectiva e, desse modo, uma interpretação pessoal. Será o Deus de nossos corações.

         Voltando à Alma: Se pensarmos que em toda a Criação se manifesta uma Lei da Dualidade, ou Lei dos Opostos, perceptível na alternância de Dia/Noite, Luz/Treva, Frio/Calor, Maré-baixa/Maré-alta, etc., é compreensível que exista também no Ser Humano essa dualidade Corpo/Alma, ou seja, a Matéria (o corpo) e o seu oposto Imaterial (a Alma).

E se me disserem que a matéria é destrutível (o corpo) e a Alma é imortal, eu me permitirei dizer ainda que ambos são imortais, na medida em que até a matéria desaparece na forma, mas nunca perece na substância, tal como dizia Lavoisier: “Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.

Muita confusão se tem gerado ao longo dos tempos entre Alma e Espírito, como sendo uma e a mesma coisa. Porém, e só para percebermos como ambos são coisas distintas, vos darei aqui uma breve síntese de “Espírito”, como sendo a essência universal e estimulante que penetra toda a Natureza, mesmo a matéria inconsciente existente em todas as coisas animadas e inanimadas (animais, plantas, minerais, etc.). É essa essência a responsável pelas forças de adesão e coesão (que todos nós aprendemos na Física e que Newton explicou na sua “Lei da Gravitação”). E digo, matéria inconsciente, porque apenas o Homem é dotado de consciência que, por sua vez, é um atributo da Alma. Enquanto estes últimos, (seres animados e inanimados) possuem Espírito, (portanto, conceito diferente de Alma), não possuem, contudo, consciência.

 

A REENCARNAÇÃO DA ALMA

Ao longo dos  tempos,  sempre  houve  grande  número de pessoas  a  expressar vivamente a  sua descrença em certas doutrinas que não entendiam bem ou que jamais haviam investigado. O que não é de admirar,  pois é sempre difícil aceitar-se uma doutrina que não é compreendida e, mais, que tenha vindo a ser popularmente deturpada. O que pode verificar-se  também  ( como já aconteceu em  muitas descobertas do passado), é que algumas dessas doutrinas, princípios ou conceitos, vêm mais tarde a tornar-se aceitáveis, pela investigação e apurado estudo.

Quanto  à doutrina  ou  Lei  da  Reencarnação,  deverá  ter-se  em  mente que não  é  um credo religioso,  ou uma  lei  religiosa,   mas  sim  uma  lei  natural  do  Universo.  Por  outras palavras,  as  leis  pertinentes à Reencarnação não são mais religiosas do que as leis que regulam a concepção,  o crescimento do  embrião ou feto e o nascimento do corpo.

 O importante é que esta doutrina não começa com a suposição, ou teoria, de que o Homem deve encarnar-se num corpo físico e ter experiências terrenas. A reencarnação começa com o facto de que o Homem está encarnado num corpo físico e está aqui, no plano terreno, tendo experiências terrenas. Forçoso é iniciar o raciocínio com o facto de que estamos aqui a viver num corpo físico. Somos, pois, um Alma revestida por um corpo físico, e não um corpo físico animado por uma Alma.

Pondo agora de parte os antecedendes químicos e biológicos que dão origem à formação do corpo (dos quais não cabe aqui falar), recebe o Homem na altura do seu nascimento e com a primeira respiração, o “sopro de vida”. Passa então, e só então, a ser uma alma vivente. Não foi, pois, o corpo físico que adquiriu vida, mas sim a alma invisível, infinita, que assumiu um corpo para poder expressar-se no plano físico. Aqui cabe, talvez, antecipar a resposta à pergunta que se adivinha: o que é o “Sopro de Vida?…  O Sopro de Vida ou Alento de Vida, é uma combinação de Força Vital e Consciência Cósmica – energia que vitaliza o corpo no momento do nascimento e que o abandona no momento da “morte” (a que os místicos preferem chamar “transição”), dado que, como já explicado atrás, não existe morte na Natureza, mas apenas transformação. E por que  abandona essa energia o corpo aquando da transição? Porque deve chegar o momento em que o corpo físico, corruptível, começa a desorganizar-se, tornando-se incapaz de reter vida e vitalidade (sopro de vida), não mais podendo conter a essência anímica, dando-se então o que, incorrectamente, chamamos “morte” e que não é mais do que uma transição. Corpo e alma se separam, voltando cada um deles à sua origem, o corpo aos seus elementos primários ( a terra) e a alma se elevando ao plano espiritual, ou Cósmico, conservando o seu estado de infinito.

Tendo em vista ser conveniente à Alma humana passar por um certo número de sucessivos renascimentos na Terra, a fim de aperfeiçoar o Ego ideal, através das experiências vivenciadas, dificuldades e provações, sabe-se que o número de encarnações será múltiplo, porém, sem uma duração de vida terrena definida. Também indefinido é o tempo que medeia entre os renascimentos sucessivos, intervalo em que essa personalidade-alma permanece no plano cósmico a aguardar uma nova encarnação. Destina-se esse período a uma maior purificação, e para que o Ego seja iluminado pela Mente Divina e sabedoria Cósmica. Será também um período de reflexão em que a personalidade-alma tomará consciência dos erros cometidos na sua passagem pela Terra, com vista a rectificar e melhorar as suas atitudes e comportamento na próxima reencarnação. Poderá também esse hiato ser comparado ao período de sono do corpo físico, como um refrigério, proporcionando-lhe um período de descanso e regeneração das faculdades exaustas e desgastadas. Tanto o período de duração da vida terrena como o período de recolhimento e reflexão no plano Cósmico variam, como é compreensível, para cada personalidade-alma.

Findo esse retiro, dá-se início a um novo ciclo, buscando a personalidade-alma um novo corpo para, em uma nova encarnação, corrigir os erros do passado, efectuar a devida compensação para cada um deles e continuar o seu caminho, de aperfeiçoamento e evolução, até chegar a hora do seu aperfeiçoamento total, altura em que será, finalmente, integrada na  Divina Consciência Cósmica, sem necessidade de mais retorno.

 

CARMA E EVOLUÇÃO

         Incompleta ficaria esta exposição se não se falasse da Lei do Carma (ou Karma – balança) ou Lei da Compensação, outra das Leis Naturais que prova a existência de uma Mente Infinita, inspirada pelo Amor, Misericórdia e Justiça, em todos os seus decretos.  Como todas as leis universalmente estabelecidas, esta é, também, imutável, impessoal e imparcial, pois que a todos nós afecta, independentemente da origem genealógica, posição social, poder económico, etc., fazendo com que o Homem veja através dela um princípio de verdadeira justiça.

 Não é, pois, uma Lei de vingança ou punição, mas sim, uma Lei de compensação de débitos e créditos cármicos.  Ao ser humano foi dado o livre arbítrio, a faculdade de escolher suas directivas na vida. A responsabilidade é sua, mas, aquilo que escolher deve suportar. Conforme semear, assim há-de colher. Estamos, pois, a todo o momento, colhendo o que semeamos.

Segundo esta Lei, a Natureza, em qualquer campo de manifestação, exige justiça, equilíbrio e compensação. E o Homem não pode fugir a ela. Com ela aprende que por seus actos maléficos deve sofrer ou pagar. Por suas acções nobres e altruístas e seus pensamentos plenos de altos ideais colherá recompensas equilibradas.

Esta é a Lei da Compensação, ou Carma.

Por vezes deparamos com perguntas do tipo:  “Se assim é,  por que  vemos tantas pessoas boas,  imbuídas de fraternidade e solidariedade,  perfilhando ideias dignas e,  até,  um certo misticismo,  sofrerem desaires, desgostos,  saúde debilitada,  e dificuldades  de  toda  a  ordem?…  Enquanto outras,  que mostram o mais profundo desprezo pelo semelhante, egoístas e mal intencionadas, parecem viver “num mar de rosas”, com boas posições pessoais e sociais, boa saúde, largueza financeira?…”

Realmente, à primeira vista, parece uma injustiça. A resposta está em que a Lei do Carma não actua apenas na vida actual nem numa única encarnação. A personalidade-alma acarta consigo ao longo das várias vivências na Terra (encarnações), débitos e créditos cármicos que, por vários motivos, não puderam ser compensados nas anteriores encarnações. Não é uma Lei punitiva e não exige “olho por olho”. O seu único propósito é nos ensinar a lição para fazer com que compreendamos o erro e, desse modo, melhoremos em compreensão.

Outra ideia errada, não obstante, frequentemente ouvida, é pensar-se que, por força do pagamento de débitos cármicos, possa a personalidade-alma vir a encarnar em uma forma ou corpo de um animal inferior, como forma de punição. Esta teoria é profundamente incompatível com as Leis da Reencarnação e da Evolução que nos ensinam que cada estágio é progressivo e jamais desceremos na escala da expressão física, a despeito do débito cármico a ser pago.

Evolução é desenvolvimento progressivo e aperfeiçoamento de tudo o que se manifesta ou está na concepção da Mente Cósmica. E até a degeneração ou desintegração representa uma de suas fases. A Lei da Evolução é, pois, outras das Leis Naturais e todo o elemento da Natureza, inclusive o Homem, tende para a perfeição, tornando-se cada vez mais perfeito em suas manifestações.

Para terminar, direi apenas que o que possamos acreditar, ou não, a respeito das Leis Naturais e Universais, em nada afectará os seus princípios e o seu percurso . Outrossim, a aceitação ou rejeição delas, se fará sentir em nossas vidas, trazendo uma maior ou menor felicidade, mediante a maior ou menor compreensão das provas e problemas que ocorrerão durante as nossas vivências, desde o nascimento até à transição.

PAZ, LUZ, VIDA E AMOR!

Carmo Vasconcelos                                                

             

 
 
 
 
 
 
 

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