UM OLHAR SOBRE “AREIAS MOVEDIÇAS”, DE KRASSIM KRASTEV

 

 

 

 

 

UM OLHAR SOBRE O LIVRO

“AREIAS MOVEDIÇAS”,

DO AUTOR BÚLGARO, KRASSIM KRASTEV

 

Tradução de Zdravka Neidenova

Revisão Literária de Carmo Vasconcelos

 

 

 

Difícil falar de “Areias Movediças”, do autor búlgaro, Krassim Krastev. As palavras se fazem imprecisas para ilustrar a originalidade da escrita do autor. Tudo o que possa dizer-se não substitui o fascínio dessa digressão pela narrativa plena de inquietude, dúvidas e contrastes, que nos transportam às mais profundas incógnitas e contradições que se albergam nas cavernas ocultas dos paradoxos existenciais. A luta entre a ambição obstinada, como meta do poder absoluto, e os flashes apelativos da consciência, confrontando a insignificância da posse perante a infalibilidade da decrepitude e morte, são uma constante em “Areias Movediças”. Esse mesclado ressalta dos monólogos íntimos da personagem Moisés, intensos ora na fragilidade, desilusão e renúncia, ora na tentativa utópica de recidiva, feita de recuos e avanços quixotescos resvalados do lirismo de que se pode enganar a ampulheta inexorável do Universo e recomeçar do zénite perdido.

 

Em “Areias Movediças”, o autor desnuda-se das suas multifacetadas potencialidades. Prosador e poeta, perspicaz analista da alma humana, historiador e crítico mordaz e implacável das atitudes egocêntricas e egoísticas do Homem, escravo do oportunismo quase sempre, mas principalmente em fases de viragem política e sociocultural da História. Através da personagem, ora narrador ora interlocutor de si mesmo, Krassim Krastev dá ao texto esse ondular que não permite ao leitor estacionar na monotonia.

 

E é desta simbiose – da realidade crua com a utopia; da diversidade das imagens poéticas perfumadas de sensibilidade com o discurso duro e despojado; dos sonhos infantilmente senis com as metáforas argutas, por vezes cáusticas; do ontem enredado no hoje e no amanhã – que o autor faz desta novela um irisado voluptuoso e aliciante por onde viajamos em espiral, esquecidos do tempo.

 

 

2006-11-18

Carmo Vasconcelos

Lisboa-Portugal

            

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