MINHA ENTREVISTA PARA A REVISTA ZAP

 

 

Nome: Maria do Carmo Fernandes de Vasconcellos Figueiredo

Natural de: Lisboa/Portugal
Apelido: Carmo Vasconcelos

Nascimento: 27 de Maio 
Signo: Gemeos
Filhos? Sim
Quantos? Dois
Trabalha? Já sou aposentada
Profissão: Tive diversas: Contabilista, Tradutora e Intérprete, Secretária
Hobby: Ler, Escrever, Ouvir música, Cultuar a Natureza.
Estilo de Música: Uma música para cada ocasião, mas a minha preferência será sempre a música clássica.
Meu livro predileto é: Difícil enumerar apenas um, pois gosto de vários estilos. Desde os clássicos aos contemporâneos, prosadores e poetas, e terminando na literatura de cariz espiritualista e comportamental, são muitos. Mas jamais esqueço, a literatura que marcou a minha adolescência: dos estrangeiros, Stefan Zweig, Emile Zola, Alberto Moravia, Stendhal; dos portugueses, Eça de Queiroz, Almeida Garrett, José Régio, Camões, Antero de Quental, Florbela Espanca, Camilo Pessanha, entre outros. Mais recentemente, Unamondo, Tagore, Kipling, Hermann Hesse, Montaigne, Freud, Jung, Kardec….
Meu livro de cabeceira: Também tenho sempre mais do que um livro à cabeceira. Neste momento, tenho: A Inteligência Emocional, A Busca do Santo Graal (Empenho de Transcendência), Siddharta, e uma velhinha Bíblia de bolso.
Um (a) grande escritor (a) ou Poeta: Todos os que mencionei acima, considero grandes, cada um ao seu estilo. E ainda, Proust, Marguerite Yourcenar…….
Uma frase inesquecível: (3) Ser pedra é fácil, o difícil é ser vidraça (Provérbio chinês)/Falar é uma necessidade, escutar é uma arte (Goethe)/Não somos seres humanos passando por uma experiência espiritual… somos seres espirituais passando por uma experiência humana (Teillard de Chardin)
Meu programa : Uma tertúlia poética, uma boa peça de teatro, um bom filme
Prato Predileto: Bacalhau à Gomes de Sá
Uma bebida saborosa: Irish coffee
Um doce: Lampreia de ovos
Um Perfume: “Poême”, de Lancôme
Carro: Não sou ficcionada em carros (qualquer um que me transporte)
Cor: Verde e Laranja
Esporte pratica ou gosta de algum? Não pratico, mas gosto de equitação
O que mais me atrai: A Natureza em todas as suas manifestações
Nas mulheres admiro: A inteligência, a discrição, a elegância de comportamento
Nos Homens admiro: A inteligência, o humor, a dialéctica
Animal de estimação? Se pudesse teria um cavalo
Um nome: Madre Teresa de Calcutá
Mania tem alguma: Agradecer a Deus por mais um dia, antes de adormecer
Vício tem algum? O cigarro e o café.
Quando eu acordo Vou: Direitinha ao pequeno-almoço.
Não durmo sem: Ler um pouco.
Um filme: Ah, como sempre, mais do que um: E tudo o vento levou; Tempo para amar e tempo para morrer; Doutor Jívago; Ghandi; Titanic; A escolha de Sofia; etc.
Um grande Amor: Pela dádiva da vida. Pelos filhos, pelo neto. Quanto aos outros amores, como dizia o Poetinha: “Que seja eterno enquanto dure”. Na minha já longa idade, tive “grandes amores”, graças a Deus!
Um grande lamento: Não ter tempo suficiente nesta encarnação para fazer tudo o que desejava fazer e ainda não fiz. Só me resta esperar pela próxima.
Tenho saudades: Dos entes queridos que partiram para a eternidade; das grandes reuniões de família; da adolescência.
Detesto: Mentira, Hipocrisia e Traição
Supérfluo é: Preocupar-se com a beleza do corpo e descurar a beleza da alma.
Fico Feliz quando: vejo cumprir-se justiça, quer a justiça dos homens quer a justiça Divina.
Quando estou triste eu: Penso como sou ingrata, em comparação com todos os males do mundo. E a tristeza logo passa.
Sofro ao ver: Todas as calamidades do mundo. Entre elas, toda e qualquer espécie de violência, mas a violência contra as crianças, sobretudo, espancamentos e pedofilia, revolta-me até às lágrimas.
Queria muito: Poder mudar o Mundo. Principalmente, minimizar o instalado materialismo, em prol duma visão mais espiritualista. O resto viria por acréscimo.
Nem pensar: Fazer uma cirurgia estética… salvo por questões de doença ou mutilação. Em contrapartida, eu me imponho cirurgias da alma dia-a-dia.
Amigo pra mim é: Aquele que nos fala e nos escuta, sem ideias pré-concebidas, que nos apoia ou contradiz, consoante as razões expostas; aquele que entende que somos seres pensantes diferentes, e nos dá e aceita opiniões, sem necessariamente termos ambos de seguir o opinado. Aquele que ri e chora connosco e vice-versa. Aquele que, segundo um pensamento de Marcelo Batalha: “… te dá um pedaço de chão, se é de terra firme que precisas; ou um pedacinho de céu, se é o sonho que te faz falta”.
Sinto-me plenamente quando: Me bate a certeza do dever cumprido, ainda que, por vezes, doloroso e/ou incompreendido. E, também, quando acabo de ajudar alguém com os meios ao meu dispor, nem que seja com uma palavra de fé, ânimo e solidário amor.
Viver é: Uma dádiva Divina. É o voto de confiança que nos dá o Criador, permitindo o nosso retorno a cada encarnação, para expurgar nossas faltas e imperfeições pregressas, rumo à evolução da nossa alma.
Preconceito: É a ideia de que só nós próprios somos donos da razão e que nossos hábitos, comportamentos e ideias são os únicos certos, não admitindo que cada Personalidade-Alma tem um caminho individual a percorrer, que nem sempre pode ser igual ao nosso.
Violência: Se resume na lei do mais forte contra o mais fraco.
Fome: A vergonha do Mundo
Um presente inesquecível: Minha primeira medalha literária, em 1996.
Uma viagem dos sonhos: Uma viagem ao Paraíso, com bilhete de ida e volta.
Um sonho de consumo: Uma grande mansão, com um imenso jardim, pomar, piscinas, ginásios, salas de jogos, biblioteca, salão de música, escola e hospital anexos – para albergar crianças e velhos desprotegidos.
Chocolates ou Frutas: Chocolate
– Por que? Porque o chocolate nunca nos surpreende pela falta de doçura e algumas frutas pecam por acidez.
Um desejo: Vestir-me rapidamente, porque esta entrevista está a deixar-me nua. Rs
Um carinho: Para a querida e extraordinária Beth Misciasci
Um presente: Esta entrevista
Amigo (a) é: O que esquece de si próprio para vir em nosso auxílio.
Felicidade é: O caminho e não a meta.
Um ídolo e porque: Jesus, O Cristo! Porque foi o Maior de todos os Mestres.
 
 Um Poema:
 
Paz ao Mundo
Carmo Vasconcelos
Jamais se alcança a paz entre o tumulto
Do egoísmo em desmedida proporção,
Qual ópio que embebeda o coração
E doa à mente errada falso indulto.
 

A paz é agasalho dado ao imo,
Oferta da tranquila consciência,
Quando usa a plena acção, sem contundência,
E do amor faz bordão de fiel arrimo.

Ausente a paz, soçobram as nações,
Esmorecem as almas em martírio,
E sucumbem os corpos em delírio!

Livremo-nos de fúteis ambições;
Supremacias vãs – solo infecundo…
E pintemos de Paz o mapa-Mundo!

***

 Lisboa/Portugal
28/Fevº/2010

 

Na sua opinião, como a leitura pode levar educadores e educandos a tomar consciência de seu potencial criativo e transformador? Como dizia Marcel Proust, “a leitura é a maior das amizades e a mais nobre das diversões”. Mas, quanto a mim, é muito mais do que isso: Desperta o poder criativo, desenvolve o raciocínio, aguça a inteligência, aprimora o espírito. Abre horizontes para o conhecimento da alma humana, a ajuda-nos a vislumbrar um conhecimento maior de nós próprios. Leva-nos a situações práticas de vida e eleva-nos ao sonho. Conduz-nos a vestir diversas personalidades, sentir o que elas sentem, observar como agem, desenvolvendo em nós os sentimentos, as emoções e a sensibilidade. Abre os caminhos da mente, faz-nos viajar e, ao mesmo tempo, pôr os pés no chão. Desperta-nos a consciência e a memória para o saber oculto que já trazemos de outras vidas. E mais, muito mais…
– Em sua opinião, onde e quando começa o aprendizado para uma cultura sustentável? Na minha opinião, tudo começa (ou deveria começar) na infância, e a partir da infância deve ser trabalhado. Instilar na criança o gosto pela leitura, pela arte, pela música, pelos comportamentos correctos, pela justiça, pelo amor ao próximo e à natureza. O Lar, a primeira escola! Depois, o ensino básico, importantíssimo como alicerce precursor dessa cultura/instrução/educação a erigir vida fora.
– Como e por que a literatura pode contribuir para esse aprendizado? Creio já ter respondido nas perguntas anteriores.
– Você por você, se autodefina: Difícil definirmo-nos a nós próprios. Direi que me defino como uma eterna amante da palavra. Todas as suas direcções me fascinam. Em quase todas as suas vertentes me movo – a poesia, a prosa, a tradução, a revisão literária, algumas conferências. Porém, não me considero “expert” em nenhuma delas. Sou uma geminiana nata que, na curiosidade e na sede de saber, se dispersa muito. Mas onde melhor me exteriorizo e onde me entrego mais completamente, é na Poesia. Fora dos aspectos literários, sou uma mulher como tantas outras, que se ramifica como: filha, irmã, esposa (agora viúva), mãe e avó. Eterna estudante do misticismo – membro da ordem Rosacruz – acredito que a Vida é uma dádiva Divina que merece ser respeitada, vivida e enfrentada com muito amor, entre alegrias e mágoas. Intrinsecamente, sou uma positivista e de uma alegria quase sempre inabalável, pois tudo entrego nas mãos de Deus e da justa Lei do Karma. Caminho na senda, ciente de que a palavra tem de ser cultivada e alimentada como uma flor rara e sensível que Deus pôs nas nossas mãos como um privilégio e, simultaneamente, porque ela é poderosa, indutora e influenciadora, devemos usá-la com oportunidade e prudência, elevada aos puros ideais de justiça, solidariedade, fraternidade, e Amor Universal, não a medindo pela quantidade, mas sim pela qualidade.
Deixe uma mensagem e um poema, que você considere importante, ou apenas queira citar e divulgar. Minha mensagem, em termos literários: A todos que começam na senda literária: Que guarde, anote, não desperdice todas as ideias que lhe pareçam dignas de serem transformadas em mensagens para o Mundo, nas suas várias vertentes: de amor, paz, solidariedade, justiça e denúncia. Que estude a língua mãe profundamente – nada mais inestético do que um poema ou uma prosa com erros linguísticos. Eles desfiguram muitas ideias verdadeiramente geniais. E, sobretudo, que tenha a coragem de não as manter ignoradas. O mundo precisa cada vez mais de escritores e de poetas que sirvam de contraponto à fealdade, à ambição e soberba, às injustiças sociais e aberrações imorais que ainda proliferam. Minha mensagem humanista, velha e batida, mas nunca demais de lembrar: “Não faças aos outros o que não gostarias que te fizessem”.
 

 

 

***
Entrevistada em Setembro de 2010 Por: Elizabeth Misciasci
Da Redação Revista zaP!
  

Publicado também em:

http://www.eunanet.net/beth/news_coluna.php?col=58&pst=2904
Chamada de Capa Revista zaP!
http://www.revistazap.org/
 

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